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Computação em nuvem virou negócio atrativo

 

* Rhossane Lemos, especial para RFI

Computação em nuvem, que é o armazenamento de dados, feito em serviços que poderão ser acessados de qualquer lugar do mundo, sem ser preciso a instalação de programas ou de armazenar dados. Armazenar nas nuvens é a mais moderna forma de guardar virtualmente dados e informações. Conhecido popularmente por Cloud, e em português chamado de computação em nuvem, esse novo mercado virou um negócio atrativo e promissor.

Desde 2012, empresas, governos e clientes individuais estão usando cada vez mais um espaço virtual acessado pela Internet, conhecido como nuvem.

Nesse HD remoto é possível guardar uma quantidade praticamente ilimitada de documentos e arquivos, e também executar programas, sem que eles estejam instalados no computador. O computador vira um coadjuvante, porque as informações ficam disponíveis para acessar em qualquer lugar do mundo.

Os clientes destacam a praticidade como o principal benefício do novo paradigma de armazenagem de informações. Por isso, o mercado da computação em nuvem não para de crescer. Em 2012, a técnica tradicional de armazenar dados, ou seja, individualmente, era usada por metade dos usuários de Internet, enquanto a outra metade já optava pelo arquivamento coletivo de dados, a nuvem. A previsão para 2017 é que o consumo de armazenagem de dados na nuvem deve quadruplicar, enquanto o arquivamento tradicional deve manter os mesmos 1.4 zeta bytes de espaço.

Usuários individuais foram os primeiros

As empresas usam quatro vezes menos a nuvem que os clientes individuais. Cerca de 60% das empresas com mais de mil funcionários já estão trabalhando na nuvem. Já, entre as empresas com menos de mil funcionários, apenas 38% trabalham na computação em nuvem. Por isso, o segmento empresarial deverá responder pelo maior aumento no consumo.

O professor de administração em novos negócios Alexandre Graeml acredita que “as empresas de maior porte relutaram mais para entrar por questões de segurança de seus dados, de segredo do negócio. Assim, essa tecnologia começou pelo lado oposto do que normalmente ocorre e os usuários domésticos foram os precursores no uso da computação em nuvem”.

Empresas oferecem gratuidade em troca de acesso ao perfil do cliente

Os clientes individuais ainda são os maiores consumidores da computação em nuvem. Eles utilizam o espaço virtual principalmente para fazer backup, como no DropBox, mas também enchem o Facebook de fotos e o Google Drive de documentos compartilhados.

A lógica desse mercado se apóia na proposta de serviços aparentemente gratuitos, mas que colocam os dados do cliente à disposição de outras empresas. O professor Graeml alerta que “as empresas não cobram pelo serviço, mas aproveitam dessa lógica de conhecer melhor o cliente para depois oferecer outros serviços, então é sempre bom, quando se tem um ‘almoço de graça’, conhecer quais são os interesses daquele que está patrocinando a festa”.

As maiores empresas provedoras da computação em nuvem atualmente são a Amazon, a Google e a Microsoft, e para clientes individuais, também a DropBox e a Apple. A Google, por exemplo, já nasceu dentro desse conceito. Já a Microsoft teve que se adaptar, porque seu grande negócio era vender o pacote Office em lojas. Agora a Microsoft vende na internet o direito de usar o programa remotamente, na nuvem.

No Brasil faltam leis

Mesmo oferecendo muitos benefícios, a computação em nuvem também preocupa os especialistas. Um dos pontos é que o Brasil, ao contrário da Europa, por exemplo, não possui leis específicas que regulam o setor. Este marco regulatório precisa prever o que aconteceria em situações como o desabastecimento do serviço, por exemplo.

“É como acontece com a energia, se nós tivéssemos um gerador próprio, nós investiríamos em manutenção e em um segundo gerador, mas quando você migra para nuvem, é como se tivesse comprando a energia da operadora de energia elétrica. Então, quando não nos preocupamos com a infra-estrutura do serviço, criamos uma dependência desse serviço”, explica o professor doutor em Informática Altair Santin.

Apesar dos riscos, o mercado da computação em nuvem representa uma economia para todos os clientes. Para o setor público, por exemplo, calcula-se que os governos economizariam pelo menos 20% dos custos com tecnologia com o armazenamento remoto.

Fonte: RFI